Compliment

O trabalho como vendedora exige que eu sempre esteja feliz, bem humorada e seja simpática. Isso porque falo com pessoas diferentes o tempo todo, tenho que lidar com personalidades completamente diferentes…

Ganho meu sálario proporcionalmente com o valor das minhas vendas então sempre procuro satisfazer as necessidads do cliente para ganhar bastantão mais tarde;)

No meio de toda a correria do dia a dia, de ter que cumprimentar cada cliente com um sorrisinho, ouvir o que ele quer, subir e descer do estoque com as peças, fez eu ver como uma pessoa é diferente da outra. E nesses últimos dias a PACIÊNCIA se mostrou ser mesmo uma virtude!!!!

Já atendi pessoas muito boas, muito mesmo. E outras muito PODRES, pessoas que não sei como têm namorados, familiares que aguentam passar um minuto junto. Duas pessoas que atendi me marcaram bastante. Uma por ser um doce, outra por ser um monstro.

Vou falar da boa. Infelizmente não lembro mais do nome dela… mas lembro quando ela entrou na loja mancando. Ela era bem baixinha, devia ter uns 45 anos e o corpo era meio deformado. Cumprimentei ela, perguntei o que ela procurava, se era um presente… Era para ela mesma. Queria uma roupa que a fizesse sentir bonita, arrumada, mais mulher pelo fato de ela sempre se vestir que nem moleque, com camisetas e tênis. Naquele momento, consegui sentir o baixo autoestima pelos olhos e pelo jeito de falar. Mostrei algumas blusas mais simples para ver se eram o que ela queria, mas não, ela queria uma blusa mais arrumada mesmo. Peguei uma que tinha chego na loja no dia anterior, de tecido fino, transparente, decotada nas costas, com diferentes cores e ela gostou. Então levei ela para o provador e subi no estoque para pegar as diferentes cores. Quando entrei no provador, tomei um susto.

Ela estava de costas. Uma cicatriz profunda e grossa de trás do pescoço até o fim da coluna foi a primeira coisa que vi. Fingi não dar atenção mas comecei a reparar no corpo dela. Ela tinha marca de furos, cicatrizes de cortes, postura curva, e um lado do corpo todo deformado e distorcido. Levei todas as cores e a branca foi uma que ela não queria de jeito nenhum já que ela tem muitas roupas brancas por trabalhar no hospital. Então ela vestiu a azul. Gostou. Provou a rosa, gostou mais ainda!!! Até que ela viu as costas no espelho e pareceu se sentir feia. Falou que não sabia como vestir a blusa por ela ter um decote nas costas e ela não gosta de mostrar as costas para as pessoas porque elas vão achar feio. Então a mulher me contou que tinha osteoporose, que é a alta concentração de ferro nos ossos e isso a impedia de fazer movimentos no quadril. Senti toda a insegurança, a vergonha, o autoestima no chão. Senti pena, muita pena… E foi aí que elogiei, falei o quanto ela estava linda, que um top ou uma regata bastavam para esconder as costas, que ninguém ia reparar, era só ela mesmo que prestava atenção nos detalhes das costas… O marido dela chegou e elogiou também, falou que a blusa era soltinha então não tinha como verem.

Então ela levou. Me agradeceu e saiu feliz da loja.

Parei por um instante e fiquei pensando. Pensei em como uma pessoa se preocupa com a opinião, com os olhos dos outros… e como a beleza assusta, amedontra.

E agora, escrevendo esse post e lembrando da mulher que atendi faz uns 4 dias atrás, dou muito mais valor ao elogio do que nunca! Elogios têm o poder de deixar uma pessoa triste, inconfiante, feia se tornar linda e confiante de si mesma! Por que não elogio mais? Deveria…

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